Construtoras de baixa renda caem com possível mudança no FGTS

Construtoras de baixa renda caem com possível mudança no FGTS

As ações das construtoras de baixa renda estão sob forte pressão hoje com a possível mudança na remuneração dos cotistas do FGTS.

Na quinta-feira, o Supremo Tribunal Federal vai julgar uma ação que pede a mudança da taxa de correção do fundo de garantia, que passaria da atual TR para algum indicador ligado à inflação, como o IPCA-E ou INPC.

A ação -- que foi ajuizada pelo partido Solidariedade e pela Força Sindical -- já tramita no STF desde 2014, mas foi paralisada em 2018 e voltou agora à pauta da Corte.

A mudança é relevante para as construtoras de baixa renda pelo impacto que ela teria no programa Minha Casa, Minha Vida.

Hoje, o comprador de um imóvel do programa consegue um financiamento pela Caixa a uma taxa de entre TR + 4% e TR + 5% ao ano, dependendo da faixa do programa. Isso é possível porque o funding da Caixa é o FGTS, que remunera seus cotistas a apenas TR + 3%.

Caso a remuneração dos cotistas do fundo aumente, o spread reduziria muito, colocando em risco a viabilidade do programa. 

“Para o programa parar de pé ele teria que aumentar também a taxa do financiamento, o que teria um impacto enorme na acessibilidade, que é o grande objetivo do programa,” disse Ygor Altero, analista de real estate da XP. Outra alternativa seria “fazer um ajuste muito grande na estrutura do programa.”

A XP está atribuindo uma chance mínima dessa mudança ir para frente, dado os impactos que ela teria no setor. “Mas é um negócio que pode acontecer. Não dá para dizer que a chance é zero,” disse o analista.

A XP nota ainda que há um trabalho grande sendo feito pela Abrainc e pelo CBIC -- duas entidades do setor -- para defender os interesses das companhias de baixa renda.

Para um executivo do setor, o impacto dessa mudança seria enorme para as empresas -- mas o tamanho do rombo vai depender de como ela seria aprovada.

“Se for aprovada de forma retroativa, o passivo do fundo fica maior que o ativo e o FGTS simplesmente quebra,” disse ele. “Se for aprovada daqui para frente, vai mudar o custo de financiamento para quem está tomando empréstimo ou afetar a rentabilidade do FGTS.”

Esse executivo também acha que a chance de aprovação dessa mudança é “baixíssima”, até porque se ela for aprovada de forma retroativa o próprio governo teria que aportar dinheiro no fundo num momento em que o Ministério da Fazenda está focado em melhorar o fiscal. 

As estimativas é que o passivo dessa ação seria da ordem de R$ 700 bilhões, caso a TR seja considerada inconstitucional.

Apesar da baixa probabilidade de ir para a frente, as ações das construtoras de baixa renda despencaram hoje com a notícia. 

A MRV chegou a cair perto de 6%, mas no início da tarde a queda havia reduzido para 2,7%. A Direcional cai outros 3,7%, enquanto a Tenda cai 4,3% e a Plano&Plano, 1,8%. 

O Ibovespa está em alta de 0,16%.